domingo, 21 de setembro de 2008

INCRÍVEL!

Equivale, para Wall Street, à queda do muro de Berlim!
É a pá de cal no neoliberalismo, na desregulamentação, na fé no mercado como regulador automático das crises!
É o enterro da tese do Estado mínimo, não intervencionista!
É o comunismo salvando o capitalismo! Apropriação individual dos lucros e socialização dos prejuízos!

Todos sabem que estas são algumas das mensagens que pudemos ler dos bem-pensantes, a respeito da crise de crédito, crise de confiança, crise sistêmica que as instituições financeiras não bancárias dos Estados Unidos da América do Norte está vivendo, exportando-a para o resto do mundo.

Em ondas, como bem me ensinou o Samuel. Aliás, profeticamente, ou melhor, analiticamente, prevendo este crash com uma semana de antecedência. Mas tenho certeza que nem ele pensava que o resultado das suas análises estaria para se concretizar apenas a uma semana depois da nossa conversa.

Quero, entretanto, pinçar uma notícia e ligá-la ao professor português de Direito Constitucional , J.J. GomesCanotilho, especialmente ao seu livro "Brancosos", em que, discorrendo sobre este ramo do Direito no século XXI, fala na constituição de "estruturas constitucionais internacionais".

A notícia que me fez fazer esta associação foi a de que a "Securities and Exchange Commission (SEC, órgão que fiscaliza e regulamenta o mercado de valores mobiliários nos Estados Unidos) se uniu às agências de fiscalização de mercado de Reino Unido, França, Portugal e Irlanda para impor uma proibição temporária às vendas a descoberto e impedir que investidores se envolvam em transações que permitam que eles lucrem com a queda das ações das empresas financeiras".
(Folha de São Paulo, 20 de setembro de 2008, página B4).

Pois é, quão longe da ideologia da não intervenção estatal no mercado. Contra o lucro? Claro que não. Mas a necessidade obriga, quando a não intervenção significa prejuízo em escala sistêmica. E aí quem vai salvar a situação? O povo, é óbvio, sempre o povo. O povão, melhor dizendo. Aqueles que pagam impostos sem saber exatamente o que os políticos fazem com ele.

Dá para brincar de não supervionar, de se iludir, de não interferir, de fingir que não percebe, de tirar uma lasquinha, etc, etc e etc. Mas quando a coisa vai longe demais, então, é hora de se socorrer do povo, do povão, melhor dizendo.

É incrível! E a realidade se impõe com tanta força que as melhores equipes técnicas dos dois candidatos a presidentes desta grande nação americana fazem parecer os programas econômicos que elaboraram verdadeiras redações de jardim da infância.

Algum deles sugeriu que o governo injetasse 700 bi de dólares para comprar os créditos podres em mãos dos emprestadores irresponsáveis?

Como iriam adivinhar que a situação fosse tão grave, se até agora não há nenhuma supervisão estatal acompanhando a criatividade dos corretores de investimentos financeiros?

Vem aí a correção desta falha de mercado, é inevitável. Inteligente, esperamos todos.

Espero que você, leitor, não seja um dos que esteja pagando o preço deste progresso.