quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Marina Silva


Marina Silva sonha com a política,
Ciência, virtude e arte do bem comum.
Antiqüíssima, novíssima novidade.

Cidadã terrestre, cidadã mundial.
A soberania do cidadão
Pode ser a pregação.

Quem sustenta a sustentabilidade
Da economia, da sociedade, da cultura e da política?
A fé, a esperança e a generosidade.

Universo, Vida, Humanos.
Homo faber, sapiens, economicus, spiritualis.
Para onde vamos? Alguém sabe? Ninguém sabe.

Apostar é preciso.
.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

MAMÃE


Enfermeiro em Janeiro.
Período noturno, 
Nada soturno.

Eles devem se apressar e morrer,
Recomenda o sol poente, Oriente.
Também para o Ocidente?

De noventa e cinco para noventa e seis.
Eu vim em seus vinte e oito,
Completei sessenta e oito.

Atingirá o Niemayer?
Cento e quatro para cento e cinco?
Marca passo há dez anos, recarregado.
E agora oxigênio... lúcida, bordando!

Sei não. É aguardar!
Lá se sabe quem vai antes?

Por necessidade vim à sua casa aos trinta e quatro.
Por solidariedade volto aos sessenta e oito.
Bela experiência, 2013.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

REVIVÊNCIA

Raul faz dinheiro com corretagem e se considera de classe média alta.

Perambulando pelo shopping, entra e lê trechos de uma biografia. Às tantas seus olhos se enchem, quase marejam, ele inspira fundo, pára a leitura para se observar e perceber que uma gota insiste em se formar, transbordar e ser puxada pela gravidade, umedecendo a sua face direita.

Revivência. Lembra-se nitidamente da cena. Não quer voltar para a casa dos pais. Quer continuar morando com a tia. Vê o carro preto do pai parado do outro lado da rua. Ele se vê em pé na porta de saída da casa. Ela então lhe ajuda.

_. Pode ir, agora você tem duas mães. Você pode ir morar com a sua mamãe sabendo que tem uma outra mãe aqui.

_. Mãequi, mani...

À cena rememorada segue-se a reflexão, inevitável. Criança de menos de três anos. Nenhuma lembrança da mãe biológica antes da ida à casa da tia, enquanto a mãe lidava com a segunda gravidez, problemática.

Depois da volta à casa de origem, a lembrança mais forte é a da mãe sexualmente repressora. Ainda que o menino apenas estivesse, aos quatro anos e pouco, descobrindo seu próprio corpo, as zonas de prazer em torno de seu pênis infantil.

Mas o mais importante para Raul foi intuir uma das origens do seu medo de amar, de se apegar, de se entregar e de confiar. Começou a pensar na dor que deverá ter sentido quando foi deixado na casa da tia e apartado da sua mãe biológica. E como se defendeu desta dor. Apagou a sua mãe biológica da memória.

Muito bem. Apegou-se à tia, fez a substituição, admitiu uma nova mãe. Entregou-se e começou a ser feliz. E eis que dela é arrancado para voltar à primeira mãe. Nova morte, novo luto. Novo abandono...

Raul sobreviveu. Mas esteve marcado até agora. É melhor ter duas mães, duas mulheres. Uma titular, biológica, com companheirismo, afeto e sexo. E outra apenas amiga, em parceria espiritual, no stand by, just in case...

Caramba, pensou Raul, talvez um bom analista possa ajudar a desenrolar este novelo...