terça-feira, 30 de novembro de 2010

INSTINTTO DE DEUS

Meu instinto de Deus é indemonstrável.
Ao completar 66, “só sei que nada sei”.
A vida tem sido agradável,
Pela verdade e pela justiça lutei.

Em busca da felicidade,
Em qualquer idade,
Cercado de tantos amores
Fazendo vasos de flores.

Como é bom viver!
Cheio de ânimo para
Olhar o copo pela metade cheia,
Vendo a beleza florescer

domingo, 28 de novembro de 2010

NÚMEROS BRASILEIROS DESTE DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010

1) O ‘CAPITALISMO DE LAÇOS’ – ELIO GASPARI – FOLHÃO, A18.

1.1Neste livro, o professor Sérgio Lazzarini, do Insper, mastigou 20 mil dados estatísticos de 804 empresas. Em 1996, num universo de 516 grandes empresas, o BNDES e os fundo Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa participavam de 72 sociedades. Em 2003, numa amostra de 494 companhias, a participação estava em 95. Em 2009, num universo de 624, o Estado tinha um pé em 119 empresas.
1.2 O professor trabalhou com o conceito de “centralidade”, estudando a composição acionária das empresas. Em 1996, quem tinha mais “amigos” ( olhar de um usuário do Facebook) eram a União (com o BNDES) e a Previ. Em 2009 a situação era a mesma. Com outro critério, olhando-se para os grupos econômicos e seus cruzamentos, hoje quem tem mais amigos é o conglomerado da Andrade Gutierrez, seguido pelo grupo do empresário Carlos Jereissati.
1.3 Estudando a estrutura das grandes empresas, Lazzarini mostra como é pequeno o mundo dos amigos entrelaçados: 11 (onze) grão-senhores participam de 66 conselhos de empresas.
1.4 A investida do Palácio do Planalto, do fundo de pensão Previ e do empresário Eike Batista sobre os administradores da Vale é recontada. Em tese, a Vale é uma empresa privada. Na prática, pelos “laços”, o governo é seu maior acionista e, na ocasião, Batista era o melhor amigo. Em 2008, foi o maior patrocinador privado do filme “Lula, o Filho do Brasil” e, em 2006, o maior doador individual na campanha que reelegeu Lula. Sendo, o maior doador corporativo, a Vale.


2) CORRUPÇÃO CUSTA R$ 130 BI POR ANO AO PAÍS – FAUSTO MACEDO - ESTADÃO A20.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que o Brasil perde 5% do PIB a cada ano por causa da corrupção pública, o que equivale a 130 bilhões. “O País deixa de crescer 2 % ao ano por conta desse mal”, adverte o delegado anticorrupção da Polícia Federal Josélio Azevedo de Souza, em reunião da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA).


3) EMPREGO, FATURAMENTO E LUCRO DO TRÁFICO VERSUS CUSTO DA SEGURANÇA PÚBLICA NO RIO DE JANEIRO – PLÍNIO FRAGA e JANAÍNA LAGE – FOLHÃO – 6 COTIDIANO 2.

3.1 O economista e professor do Ibmec-RJ Sérgio Ferreira Guimarães simula contabilidade do tráfico: faturamento de 317 milhões (versão mais conservadora) a 633 milhões (teto imaginado a partir dos números disponíveis), vendendo 9 t de cocaína, 90 t de maconha e 4 t de crack, 103 toneladas de drogas por ano, empregando 16 mil pessoas e, com lucro presumível entre R$ 26 milhoes e R$ 236 milhões.
3.2 O Estado do Rio gasta com segurança pública cinco vezes mais do que o tráfico de drogas fatura na capital. Despendeu no ano passado, R$ 4,096 bilhões e calcula precisar de mais R$ 4 bilhões para estender as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) das 13 atuais para 40 nos próximos anos.


4) O PAÍS DEVE 50 BILHÕES DE REAIS ESTE ANO E PODE DEVER 100 BI EM 2011. SÃO JUROS PAGOS A QUEM EMPRESTA AO GOVERNO PARA QUE ESTE POSSA MANTER AS RESERVAS INTERNACIONAIS EM 300 BI DE DÓLARES.

ESTADÃO – B6 – AMIR KHAIR – MUDANÇAS NA POLÍTICA ECONÔMICA.

4.1 É simples de entender o absurdo. O governo emite títulos para tomar empréstimos dos brasileiros que têm dinheiro sobrando e da estes títulos (papéis) como garantia, pagando os juros da taxa Selic, 10, 75% ao ano. Qualquer um de nós pode comprar um título do governo e receber estes juros. Bom negócio, não? Daí o governo que recebeu este dinheiro compra um título emitido pelo governo dos EUA e recebe menos de 1% ao ano. A diferença entre o que paga pelo empréstimo garantido pelo título brasileiro e o que recebe do tesouro americano pelo título que comprou para formar as reservas internacionais, dá um vasta prejuízo. Neste ano, é de 50 bilhões de reais. Para se ter uma idéia da grandeza, o déficit previsto da previdência é de 46 bilhões.
4.2 Mas tem mais. O Banco Central do Brasil compra mais dólares para engordar as reservas do que os dólares que entram no Brasil (saldo do fluxo cambial). Com isso os bancos brasileiros se propõem a vender dólares ao governo, no futuro, por um certo preço, apostando na valorização do real a fim de lucrar com esta operação.
4.3 Pior. O Ministro da Fazenda fala em endividar o Fundo Soberano do Brasil adquirindo títulos da dívida pública para comprar dólares. Assim, o BC e o MF iriam contribuir para ampliar as reservas e a posição “vendida” dos bancos.
4.4 Valorizando o real, os produtos importados ficam mais baratos, muitos são comprados fazendo concorrência aos produtos nacionais que, assim, não tem como aumentar os preços. O governo ancora o combate à inflação no câmbio apreciado. Uma âncora cambial para o combate à inflação.
4.5 Como esta política beneficia os bancos, eles já começaram a campanha para aumentar a taxa de juros da Selic, a fim de aumentar seus lucros à custa do governo.
4.6 Bom para diminuir a dívida do governo seria abaixar a taxa de juros da Selic. Mas isso diminuiria o lucro dos bancos. Será que a Presidenta tem esta força? Se nem FHC e nem Lula tiveram? A conferir.

domingo, 7 de novembro de 2010

VIDA E MORTE!

Há alguns meses, li uma das maravilhosas crônicas da psicanalista Maria Rita Khel, no Estadão. Confirmo a sua assertiva de que o auto de natal pernambucano escrito pelo poeta João Cabral de Mello Neto e musicado pelo Chico, Morte e Vida Severina, foi uma unanimidade na década de 60.

De fato, com esta peça inauguramos o Auditório Tibiriçá em 11 de setembro de 1965.

Em abril de 1966 ganhamos o I Festival de Teatro Amador em Nancy, sul da França. Jean Louis Barrault, então presidente da La Comedie Française, convidou-nos para apresenta-la no Théâtre de L’Odeon, em Paris, as platéias ficaram maravilhadas. Os jornais, lá e aqui, repercutiram o encantamento trazido pela Troupe de Théâtre de la Université Catolique de Sao Paulo.

O nome TUCA se consagrou e hoje, quase ninguém sabe que o TUCA, na Rua Monte Alegre, chama-se Auditório Tibiriçá!

Esta introdução, porém, trata apenas de contingências históricas. Vamos ao universal, válido no tempo e no espaço, razão maior da peça e deste artigo. A peça termina com esta idéia: “Severino retirante, a vida vale a pena ser vivida, ainda que seja uma vida Severina”. Cabral, Chico e todos nós celebramos a VIDA.

Vale a pena contar um outro detalhe histórico que ilustra uma outra visão, que não coloca a vida em primeiro lugar e que obrigou o júri daquele festival a dividir o primeiro premio, com um grupo de teatro vindo de um país comunista, talvez a Albânia, não me lembro bem.

Eles alegavam, então, que a nossa peça era alienada, porque não subordinava a vida humana a uma causa maior, para eles, a revolução proletária comunista libertadora da exploração capitalista.

A vida por ela mesma, segundo a visão deles, não valeria a pena ser vivida e, muito menos celebrada como um valor, ou seja, mediante a apreciação subjetiva desta característica objetiva e presente nos animais humanos, a de simplesmente estarem vivos, animados por um espírito, quando assim se encontram.

No caso da peça teatral, a explosão da vida humana, nascida em um Natal!

Bem, antes de continuarmos, um pouco de lógica não vai fazer mal. Parece óbvio que a vida é o antecedente lógico da escolha de uma causa qualquer... . Até mesmo da luta para interromper a vida de outros, implicando morte.

Em conseqüência, a vida, apenas por abrir um leque de opções a cada um de nós, ainda que estas possam ser restringidas pelas alternativas concretas viáveis que se nos apresentem, bem como às sociedades de que fazemos parte, ela, a vida, merece ser enaltecida, celebrada e reverenciada como um valor sagrado.

Daí que aproximadamente dois terços da população brasileira, como apontou recente pesquisa feita pelo datafolha, prefere que a legislação sobre o aborto permaneça como está positivada, qualificando-o como crime, rejeitando mudança que facilite a interrupção da vida em prol da morte.

Todavia, qual é a lei que quase dois terços do povo pretende continue como está?

Tecnicamente, pois, qual é o regime jurídico da vida?

Como sabemos, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida...”.

O art. 5º da Constituição Federal de 1988 não podia ser mais explícito e claro: o Estado democrático de Direito em que se constitui a Republica Federativa do Brasil garante a inviolabilidade do direito á vida!

Perdoe-me o eventual leitor, mas vou me dispensar de tecer comentários sobre o significado da palavra inviolabilidade. Dou-a por consabida.

Prefiro afirmar, entanto, que a locução “sem distinção de qualquer natureza” pode e deve ser entendida em sentido abrangente. Dizendo respeito, sim, no que tange ao direito à vida e à igualdade de todos perante a lei, a qualquer das suas fases, dos estágios da vida, sem qualquer distinção entre eles.

Abarcando, pois, a vida apenas concebida mediante a fecundação, a de vida em estado de nidação, a de vida embrionária, a de vida do feto, em seus vários graus de desenvolvimento, bem como, a de vida de quem consegue nascer sem morrer, até a morte natural da vida vivida.

Ademais, para que não haja qualquer confusão na interpretação da norma constitucional, vem o art. 2º do Código Civil de 2002, quatorze anos depois da afirmação da inviolabilidade do direito à vida, ditada pelo constituinte originário eleito com a maior participação popular de que se tem notícia, dispondo:

“A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”.

Que eu saiba e, salvo melhor juízo, a concepção da vida do animal humano se dá quando um espermatozóide do macho humano se encontra e fecunda um óvulo de uma fêmea humana. Se assim é, a lei põe a salvo os direitos da vida do humanóide, assim singelamente concebido e desde este preciso momento, até a hora de nascer, nominando-o nascituro, garantindo-lhe, então, o direito de nascer.

Parece-me evidente.

E há reforços na lei civil, neste mesmo sentido. “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal” (CC 542); “O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho...” (CC parágrafo único do art. 1609). Como lemos, a lei não distingue quanto às fases da vida, seja do nascituro, seja do filho, se apenas concebido, embrião ou feto, possibilitando-lhe receber doação por intermédio do representante legal ou mesmo ser reconhecido pelo pai.

No caso da vocação hereditária, o código civil repete o reconhecimento da existência de vida no humanóide apenas concebido mediante a fecundação, em decorrência do encontro do espermatozóide do macho humano com o óvulo da fêmea da mesma espécie: “Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão”(CC art. 1798). Vai mais longe, ainda, para alcançar a pré-vida, uma vez que “Na sucessão testamentária podem ser chamados a suceder: I – os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador...”(CC art. 1799).

Pode-se, então, perguntar: sobra ainda alguma dúvida de que a lei civil reconhece a existência da vida desde que esta é concebida pelo já decantado encontro do espermatozóide com o óvulo, a chamada fecundação? Não resta a menor dúvida. Este encontro instaura a vida, inaugura o processamento da vida humana, o processo biológico de sua constituição. Simples assim. Sem qualquer necessidade de magia, filosofia ou teologia. Apenas teoria pura do direito positivo brasileiro.

Outra coisa, entretanto, é o fato de que a biotecnologia consegue inaugurar o processamento da vida humana juntando espermatozóide e óvulo fora do ventre da mulher, in vitro. O que corrobora o fato de que deste encontro resulta vida, aquela, posta pela Constituição Federal como direito inviolável de todos, sem distinção perante a lei. Vida embrionária que não vai virar feto sem a etapa da nidação, qual seja, a da fixação do embrião nas paredes maternas adequadas, como já se pronunciou o STF, acolhendo a possibilidade jurídica de utilização dos embriões humanos sem condições de desenvolvimento vital normal, por falta de nidação.

E o bem jurídico da vida humana é tão relevante para o povo brasileiro que a inviolabilidade do direito à vida e o conseqüente direito de nascer é protegido pelo Código Penal. De sorte que “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outro lho provoque acarreta detenção de 1 (um) a 3 (três) anos”.(CP art. 124); e por terceiro, sem o consentimento da gestante acarreta reclusão de 3 (três) a 10 (dez) anos (CP art.125); e por terceiro com o consentimento da gestante acarreta reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

A vida é um dos direitos humanos fundamentais, que se caracterizam, todos, pela sua historicidade, indisponibilidade, irrenunciabilidade, imprescritibilidade, eficácia vertical (Estado-cidadão) e eficácia horizontal (entre cidadãos). Entretanto, não são absolutos e às vezes precisam ser relativizados, flexibilizados em face de conflitos entre direitos humanos fundamentais. Sim, em face destes conflitos, como resolver?

Por isso que, se a vida da gestante correr perigo sem qualquer outro meio de salva-la, a não ser sacrificando e matando o feto que ela carrega, então será lícito ao médico faze-lo, abortando-o (CP art.128, I). Também, entre o valor da liberdade de escolha da parceria sexual e a sua negação mediante a gravidez resultante de estupro, não é punido o médico que sacrificar e matar o feto, abortando-o. Neste caso, entretanto, o médico tem de receber o consentimento prévio da mulher gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal (CP art. 128 II).

Constata-se, por todas estas normas positivas, que o regime jurídico da vida humana, no Brasil, está em linha com o progresso moral da humanidade. Ou os eventuais leitores desconhecem que o direito ao trabalho, o direito ao voto e a proscrição da eugenia, para citar apenas três progressos da civilização, não resultaram de lutas muito árduas?

E tanto isto é fato, que ratificamos tanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, quanto o Pacto de São José da Costa Rica, de 1969, e, ainda, a Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, da qual resultou a Declaração de Viena e Programa de Ação, de 1993, três documentos internacionais que defendem a inviolabilidade do direito à vida.

Todavia, todos, não abortados e, imaginando que prefiram não ter sido abortados, podem opinar, tergiversar, sofismar, afirmando, por exemplo, que dois corpos são um só, que há um direito de vida e morte de um sujeito de direitos sobre um outro sujeito de direitos apenas concebido, que a saúde pública ultrapassa as questões de saneamento, água potável e endemias várias para atingir a vida em processo de constituição do animal humano, que a miséria deve ser combatida com o sacrifício e a morte da vida em estágio inicial e não com políticas públicas que desconcentrem a renda, que a ignorância sobre o aparelho reprodutivo também deve ser combatida com a interrupção da vida humana e não com a educação de qualidade prestada pela escola pública e, last but not least, que o peso da gravidez irresponsável deve ser aliviado, matando a vida conseqüente.

Destaque especial para o risível argumento de que como um olho ainda não conformado não pode exercer a sua função de ver, e, portanto, já que o embrião ainda não pode exercer todas as funções do animal humano, então ele não é um animal humano, não é gente e por isso, mata-lo não é matar um ser humano. Argumento que desconhece o raciocínio dialético, a lógica do concreto, o único capaz de entender a realidade como processo, em que os contrários estão unidos no movimento da realidade.

Raciocínio baseado na lógica formal, no princípio da identidade, o ser é o não ser não é. Questão de indigência intelectual, de falta de leitura, como bem dizia Luis Carlos Prestes. Ora, quando o espermatozóide atinge o óvulo e ele cria a contradição, nega a situação estática em que se encontra o óvulo feminino, deflagrando, dialeticamente, o processo da evolução vital do animal humano, cada estágio de desenvolvimento negando o anterior.

Concluo, pois, dizendo que o nosso regime jurídico da vida é altamente favorável à Pátria, pois não existe nação forte sem população numerosa, que não se deixe envelhecer. Alta porcentagem de idosos em população pequena e altamente concentrada geograficamente é o que devemos evitar aconteça no Brasil.

Abaixo a Morte! Viva a Vida!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

SOCIOLOGIA ELEITORAL, DUAS ESPERANÇAS E O DISCURSO DA VITÓRIA

Eleições de 2010 – Segundo turno presidencial, em números arredondados

1 Colégio Eleitoral: 135 milhões de votantes inscritos.

2 Votação da candidata eleita: 55, 7 milhões

3 Não votaram na candidata eleita: 79 milhões

4 Distribuição dos que não votaram na candidata eleita:

4.1 - 43,7 milhões votaram no candidato derrotado

4.2 - 29 milhões se abstiveram e não foram votar

4.3 – 7 milhões foram votar e anularam o voto ou votaram em branco.

5 A candidata eleita recebeu 12 milhões a mais do que o candidato derrotado

5.1 – 10,7 milhões vieram dos Estados do nordeste

5.2 – 1,3 milhões vieram na maioria da Amazônia e da fronteira de Minas e Bahia

5.3 – Dos quase 900 municípios atendidos pelo Bolsa-Família, o candidato derrotado só venceu em 12 municípios.

6 Conclusão provável: é bem possível admitir-se que a descrição sociológica de Vitor Nunes Leal, em seu livro “Coronelismo, Enxada e Voto”, continue bem atual, e sirva para explicar, sociologicamente, o resultado eleitoral do segundo turno da eleição presidencial de 2010.

7 Minha primeira esperança é a de que a candidata eleita recompense a vitória eleitoral a quem lha garantiu, libertando-os da dependência socioeconômica institucional, política e eleitoral.

8 Para tal, minha segunda esperança é a de que a candidata eleita invista os recursos do Estado na educação e profissionalização da sua base eleitoral. E chame os recursos privados para os investimentos que podem gerar retornos financeiros a partir deles próprios. Assim, não desperdiça os recursos do Estado onde a iniciativa privada pode atuar e supre a carência da sua base eleitoral. Isto é importantíssimo, já que os investimentos privados não vão atender a base eleitoral da Presidenta Dilma.E esta base eleitoral merece ser libertada da ignorância e da pobreza pela própria pessoa que ela elegeu.

9 Duas observações finais. A primeira é a de que mudamos a forma de legitimação do poder, de carismático para burocrático-racional. Neste sentido weberiano, a nova presidenta está mais para FHC do que para Lula.

10 Finalmente, uma consideração sobre o discurso da vitória.

Gostei bastante.

Mas há uma inverdade histórica.

Os grupos revolucionários que queriam derrubar a ditadura militar não o faziam em nome da Democracia e das liberdades democráticas e sim, para derrubar o capitalismo, o Estado burguês e implantar a ditadura do proletariado sob a égide do marxismo-leninismo-maoísmo-castrismo.

Sendo eu da geração de líderes estudantis em 68, tenho o dever de dar este testemunho às novas gerações. Afinal, o José Dirceu, o José Mentor, a Zulaiê Cobra, o José de Abreu, o Fleury (assassinado), foram meus calouros e convivemos no mesmo campo da esquerda, eu, como membro da equipe regional da Juventude Universitária Católica. Já o meu grande amigo Luís Travassos (falecido em acidente,o José Wilson (assassinado)e o Luis Paulino foram meus colegas de classe, turma de 64-68 do Direito da PUC-SP.

E, claro, tomo o termo Democracia como regime político em que os indivíduos participam da elaboração da lei que vão obedecer, com pluralismo político, respeito à oposição e alternância de poder, Democracia consagrada na nossa Constituição de 1988, que o PT não quis assinar, como a história registra.

Não falo, pois, da democracia popular como expressão linguística ideológica de encobrimento da ditadura comunista de partido único.

Faço este registro duplamente histórico, de hoje e da década de 60 e 70, porque pareceu-me que o discurso da nova presidenta efatizou a democracia da nossa Constituição e, ao referir-se a si própria como tendo sofrido por ser amante da liberdade referiu-se a um período que lutava pela ditadura do proletariado sob partido único, sem o pluralismo político que agora lhe permite presidir o País.

Não é justo, então, que a nova geração seja enganada sobre os propósitos dos vários grupos revolucionários que então se organizaram com o apoio dos partidos comunistas estrangeiros. A conversão da Presidenta Dilma à esta Democracia Constitucional que conquistamos em 1988 sem o apoio do PT, de regime de liberdades públicas, entretanto, é um sinal de grande evolução da pessoa e da mentalidade da Presidenta.

Vamos conferir se a conversão foi amadurecida, para valer, ou se haverá uma regressão ao estágio anterior da evolução do processo civilizatório, de personalismos e caudilhismos autoritários.

Voltando à juventude, lembro-me que eu mesmo namorei a hipótese da luta armada, mas concluí que era "porraloquice" e não segui este caminho, como muitos dos universitários meus amigos de então. A História me deu razão. Tanto isto é verdade que os antigos revolucionários marxistas-leninistas-trotiskistas-maoístas-castristas ficam até com vergonha da sua avaliação equivocada de então, camuflando as antigas opções e razãoes, travestindo-as de luta por esta Democracia Constitucional que conquistamos.

Por isso, não vamos deixar que golpeiem a nossa Democracia. O preço da liberdade é a eterna vigilância!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

QUEM SOU EU?

Boa pergunta.

Respostas metafísicas, arena das discussões sem fim?

Quais são as respostas vindas da neurociência, se as têm, serão suficientes?

E o materialismo histórico e dialético, trás ele alguma luz que ilumine?

Respostas dadas pelas metanarrativas, judaico-cristã, marxista, islâmica, cientificista se complementam ou se excluem?

Porque me incomodar com isso?

É que outro dia estava fazendo uma meditação em meio aos cânticos eclesiais da Igreja dos claretianos. Às tantas, surgiu-me esta pergunta. Afinal, quem sou eu, lá no fundinho, no fundão ou simplesmente no fundo?

Não me lembro de ter encontrado qualquer resposta. Entretanto fiquei envolvido em uma luz interessante, como se meu eu tivesse se expandido para além de mim mesmo. E fui ficando reduzido a um mero ponto em meio àquela luz que se irradiava do interior da minha mente.

Bem, mas vamos do mais simples ao mais complexo.

Sou um animal que come e luta para comer! É, sem dúvida, o que, em primeiro lugar, sou.

Também, um animal que precisa da mulher e, no meu caso específico, pelo histórico, sem qualquer sombra de dúvida. Aliás, como Deus tem sido bom comigo, todas maravilhosas, cada uma com um detalhe que as coloca acima das demais, igualando-as, por fim, pelos cimos das perfeições que mais as distinguem. Mas cuidado, eventual leitor. É preciso muita arte para identificar este detalhe de que vos falo. Vale a pena!

Uma homenagem. Foi, de fato, uma belíssima operação, essa biotecnologia feita da costela de Adão.

Em terceiro lugar, necessito de reconhecimento dos pares, dos demais. Os estudantes me passam a impressão de que eu sou um bom professor. Pelo sim e pelo não, vou guarda-la como sendo verdadeira!

Ainda, gosto de sentir que estou dando uma contribuição, que a minha vida está fazendo uma pequena diferença, que sem ela, o que faço não seria feito, ou, ao menos, não seria feito do jeito que eu faço.

No mais, procuro ficar aberto ao mistério, com maiúscula ou com minúscula? Vamos apostar que possa ser com maiúscula, Mistério.

É o que sei que sou, apenas isso. Preciso complicar mais o viver? Pressupondo, por exemplo, que eu sou onde não penso e penso onde não sou?