segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

BANQUEIROS EXECUTIVOS

Que sou eu para escrever-lhes?

No entanto, eu escrevo. Em razão do poder que têm.

E pergunto.

Recomendariam empréstimos dos seus bancos aos seus familiares?

Adivinho que não.

Estão antenados ao que ocorre pelo mundo afora?

Aposto que sim.

Então eu peço.

Reflitam sobre a justiça das condições dos empréstimos que fazem.

São justos?

As condições que impõem aos mutuários não lhes indignariam?

Sei que foram capazes de revogar as regras da Constituição de 1988.

Constato a força da máquina de persuasão que vocês têm.

Candidamente: parem de agir como ditadores financeiros.

Os povos andam meio cansados deles... .

domingo, 20 de fevereiro de 2011

SEIS CONTRADIÇÕES BÁSICAS

1 Contradição entre a racionalidade do capital financeiro, expresso pelo desejo de obter a maior taxa de retorno sobre o capital investido, e, a racionalidade da produção do viver humano em função do atendimento das suas necessidades.

2 Contradição entre a racionalidade dos interesses nacionais, representados pelos Estados, e, a racionalidade da organização da humanidade-mundo.

3 Contradição entre os regimes autocráticos, ditatoriais, e, as aspirações de pão e liberdade dos povos.

4 Contradição entre as percepções dos que podem saber as coisas em função de informações e análises e os que não podem sabe-las, por falta de informação e capacidade de análise.

5 Contradição entre os que vivem procurando obedecer as leis e os que vivem desobedecendo-as.

6 Contradição entre a nova moral, pela qual se deve preservar o meio-ambiente e, em consequencia desevolver a economia "verde", sustentável, e o atual modo de produção baseado no carvão e no pretóleo, a economia "cinza", intensa em gazes que provocam o "efeito estufa", o aquecimento global, a ameaçar a vida dos humanos na Terra.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DILMA DERROTA TRABALHADOR DO MÍNIMO

Foi um péssimo começo para os pobres.

A Presidenta mostrou que tem autoridade sobre o Congresso Nacional para impor uma derrota aos trabalhadores que ganham o salário mínimo.

Mesmo alertada de que o reajuste para o valor nominal de R$ 545,00 não garantiria a manutenção do seu valor real, quer dizer, do seu poder de compra, deu de ombros. E nessa indiferença para com os de baixo foi auxiliada pelo Vice-Presidente, a unanimidade dos votos do PMDB, PT e siglas adjacentes.

Assim, o Poder Executivo e a Câmara dos Deputados mancomunaram-se para, em conluio político, extorquir parcela do poder de compra dos trabalhadores do mínimo, praticando, além do mais, uma flagrante inconstitucionalidade.

Sim, porque o inciso IV do art. 7º da Constituição Federal determina que o valor do salário mínimo seja periodicamente reajustado, de forma a preservar o seu poder aquisitivo. E o DIEESE e outros órgãos técnicos do próprio governo demonstraram que tal reajuste ficaria aquém do necessário para preservar o poder de compra do salário mínimo.

De quebra, também empurraram para baixo os aposentados que dependem do mesmo valor.

Uma indignidade.

Quem vai defender as vítimas dessa agressão inominável, se o próprio sistema de poder político age contra o bem comum delas, empobrecendo-as de propósito, intencional, sádica e descaradamente?

Quem vai defende-las se os sindicatos e as centrais sindicais se apelegaram em troca de alguns trocados destinados a financiar as campanhas políticas de seus dirigentes, sem qualquer fiscalização do Tribunal de Constas da União, que o Ex fez questão de afastar?

O mais ridículo, ainda, é ver os socialmente vesgos, estrábicos e míopes transformarem essa maldade, essa escrota baixaria política, essa extrema vileza dos que ganham o teto salarial do servidor público, em grandiosidade, política de Estado e ajustes econômicos.

Mas nos deles, aí não, eles tiram da reta, rapidinho. Nos respectivos bolsos, aí não! Ninguém tasca, ninguém rela, ninguém bule, ninguém mexe.

São covardes. Só têm coragem em cima dos fracos, dos desprotegidos, dos desorganizados, dos sem voz e sem representação.

Eles, do Executivo, ignoram que gastam mais do que podem? Eles, do Banco Central, ignoram que apenas favorecem os que auferem renda do capital? Eles, do Tesouro Nacional, ignoram que tomam dinheiro emprestado a juros altos e aplicam no estrangeiro a juros baixos, endividando cada vez mais a Nação, em inverossímil antipatriotismo?

Devem pensar. Para que assegurar poder de compra para quem ganha o mínimo, se um pouco de “idiotenimento” lhes bastará?

Não, não e não.

Até quando, nós cidadãos vamos permitir que os políticos escarneçam, aviltem e estuprem a ingenuidade e a credulidade do brasileiro simples?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS!

1. O que eu ainda posso esperar da vida?

2. O que a vida ainda pode esperar de mim?

3. O que eu ainda posso esperar da vida enquanto eu trabalhar para satisfazer o que eu julgar que a vida ainda pode esperar de mim?

4. O que a vida ainda pode esperar de mim enquanto eu trabalhar para satisfazer o que eu julgar que ainda possa esperar da vida?

5. Mas eu posso transformar a minha vida em “a” vida e com ela dialogar como se fosse um ente vital, realmente existente em si e por si, no sentido de que a vida possa ser algo externo a mim, com a qual eu possa me relacionar? Relação entre a vida e eu. Ou, então, relação entre eu mesmo e a vida?

6. Não é mais realista e dialético, menos fantasioso e ilusório, em uma palavra, menos metafísico, apenas admitir e suportar o fato de que eu sou vida, na medida em que eu estou vivo, animado, pensando e escrevendo, a partir da consciência de que estou exatamente fazendo uma reflexão?

7. Admitindo que eu seja apenas isto, uma mera manifestação de vida consciente, qual a minha segurança? Em que me apoiar, se a ciência não me oferece nenhuma certeza absoluta? É possível suportar a manifestação de vida que a minha consciência me mostra existir ou ser em mim, sem qualquer certeza, sem qualquer absoluto?

8. Conseguiria eu suportar a existência imitando Jesus sem projetar-me nele, sem me alienar nele, e dizer para mim mesmo, como ele disse de si próprio, eu sou o caminho, a verdade e a vida?

9. É possível ser e estar, então, apenas considerando que cada um de nós, inevitavelmente terá de abrir seus próprios caminhos? Talvez buscando a verdade, quanto possa interessar? Vivendo a vida do dia a dia, acompanhando o nascer e o por do sol enquanto o organismo humano permitir?

10. Quais os sentimentos que esta postura provoca, estimula e incita em relação aos outros seres humanos? A de ficar indiferente ou a de desejar fazer alguma diferença?

11. O instinto de sobrevivência não reclama fazer alguma diferença? E o impulso sexual não ajuda? E o desejo de poder, de pertencer a um grupo e de se ver reconhecido não é, cada um destes desejos, um poderoso estímulo para não ser indiferente?

12. E na circunstância de cada um de nós, no aqui e agora, o que fazer de mim mesmo? Apenas ser? Apenas estar? Fazer algo? Esforçar-se para tomar consciência da própria situação? Formar uma consciência histórica? Virar religioso? Virar militante de uma causa sem virar militonto? Buscar sentidos e significados para a existencia pessoal?

13. Não é mais simples virar mais um da manada, diluído na sociedade de massa, mero fanático torcedor de algum time? Se possível vivendo do trabalho alheio? Superando o tédio existencial através das distrações, dos entretenimentos, ficando por aí, sem nem perguntar o nome do ficante, ajudado por um pouquinho de química, na base do “consumo, logo existo” ?

NOTA DE ALEGRIA. São 18:40 horas e acabo de ler que o ditador do Egito renunciou. Os egípcios e todos os democratas do mundo comemoram o fim de mais uma autocracia. Parabéns ao povo egípcio, especialmente aos jovens que derrubaram a ditadura Mubarak nas ruas!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

OLÁ CALOUROS 2011 - SUCESSO OU FRACASSO?

Ninguém quer ser um fracassado, um perdedor, um looser. Ou você conhece alguém que diga. Ha! Que bom, sou um vencido!

Geralmente as pessoas querem ser bem sucedidas. Pelo menos quanto aos dois instintos básicos. O da sobrevivência, pela qual todos têm de lutar e o da conservação da espécie, procriando.

Aliás, o animal humano é o único que monta estratégias racionais de sobrevivência.

Mas, saindo da linha da pobreza absoluta, da miserabilidade, ou mesmo da mera pobreza, em que sobreviver é o sucesso e, conversando, então, com o eventual leitor pertencente à classe média, média baixa, média média ou média alta, já podemos identificar nessa faixa social, a aspiração do sucesso como uma das motivações existenciais.

Contudo, caberia perguntar: sucesso em relação ao que? Parece, o sucesso depende da expectativa que se forma, a partir de algum critério que se eleja como prioritário em nossas vidas, quer dizer, daquilo que mais valorizamos.

Riqueza financeira, riqueza econômica? Casamento de fato ou de direito? Filhos? Saúde? Carreira profissional, prestígio? Arte, desempenho artístico ou literário? Sabedoria teórica? Sabedoria prática? Cultura geral? Amizades mantidas? Religião levada a sério, a fé? Fama, popularidade? Poder? Inovação, invenção?

Para um grande número de pessoas, o sucesso se resume a lucro, poder e prazer, acrescido, quando atinge o seu ápice, de fama e popularidade.

Seria o sucesso, então, o fim último da ação humana? Ou vindo do início, seria o sucesso a motivação primeira? O sucesso poderia, então, ser tanto o móvel quanto a finalidade da ação humana?

Pergunto agora. O sucesso como condição da felicidade ou o sucesso para nos trazer felicidade. Pressupondo, claro, que a felicidade seja o bem maior, supremo, último, a real aspiração do ser humano. Achando que todos os seres humanos queiram ser felizes.

Você quer ser feliz?

Um totalmente fracassado, vencido, um perdedor em tudo, um looser, pode ser feliz? Um vencedor, bem sucedido nas suas aspirações é necessariamente feliz?

Não é difícil colocar a questão assim, abstratamente, em oposição de cento e oitenta graus. Mas a vida não é uma abstração. Esta é um mero atributo da razão, apenas isso.

Na existência concreta, na vida do dia a dia, parece haver uma relação de implicação. Quanto mais sucesso, mais possibilidade de felicidade, quanto mais felicidade mais possibilidade de sucesso. E, por outro lado, quanto mais fracasso mais possibilidade de infelicidade. Quanto mais infelicidade, mais possibilidade de fracasso.

Uma coisa é, porém, certa. Tanto o sucesso quanto o fracasso se constroem no dia a dia, tijolo por tijolo, fruto de decisões ponderadas ou precipitadas, de disciplina ou indisciplina, de energia ou de moleza, de força de vontade ou de fraqueza da vontade, de ânimo ou de desânimo, de sacrifício ou de comodismo.

Sucesso ou fracasso. Nenhum, nem outro e, sim, virtude, diria Aristóteles: nem tanto ao mar, nem tanto a terra, nem falta, nem excesso. Com um pouco de sorte para evitar o fracasso, acrescentaria Maquiavel. Apostando no inconsciente coletivo, ponderaria Young. Libertando-se da alienação ao capital, reclamaria Marx. Trabalhando pela criação de uma rede formada pelas mentes humanas, da noosfera, apontaria Teillard. A mente se libertando do corpo e controlando a natureza, arremata, cientificamente, na atualidade, Nicolelis, indicando o futuro da evolução.

Entretanto, é preciso considerar o sucesso ou o fracasso na vida de hoje, em que cada um de nós vive a sua vida e a sua própria circunstância, a partir de uma visão de mundo, de uma cosmovisão. Seja ela oriunda de uma narrativa judaico-cristã, do marxismo, do islamismo, ou ainda, da ciência.

Daí que eu desejo a todos, muito sucesso em 2011.

À luta, cidadãos!