"VIVER É LUTAR"!



Concordo com o poeta. “A vida é luta renhida, viver é lutar”.

Começo com o asilo político concedido pelo Equador ao australiano Julian Assange, anunciado nesta manhã de 16 de agosto, dia de aniversário da prima Cristiane Costacurta, a quem presenteio esta crônica.

O fundador do WikiLeaks luta pela liberdade de expressão e pela afirmação dos direitos humanos, com as armas de um hacker jornalista. Divulgou documentos classificados como secretos pelos governos, logo surgindo um processo na Suécia, acusando-o de abuso sexual de duas suecas maiores de idade. Condenado na Inglaterra subtraiu-se à extradição, refugiando-se na embaixada do Equador, argumentando a possibilidade de ser, da Suécia, novamente extraditado para os EUA, onde estaria sujeito à pena de morte.

Rememorado o fato, contextualizo-o no entrechoque das três maiores forças em disputa. A força do poder financeiro supra estatal, a força do poder político estatal e a força da cidadania mundial em construção. O poder destas três forças hierarquiza-se, a meu ver, naquela ordem.

De fato, almoçando outro dia com o Luiz Eduardo de Toledo Barros, ele me dizia que o PIB de todos os países soma aproximadamente 80 trilhões de dólares e que os instrumentos financeiros, especialmente derivativos, aportados nos paraísos fiscais somam dez vezes mais, 800 trilhões de dólares. Lembrei-lhe que a partir da crise de solvência iniciada com a quebra do banco Lehman Brother’s muito ouvi sobre a necessidade de as autoridades mundiais regulamentarem os paraísos fiscais... mas, ao que eu saiba, até agora nada aconteceu!

Então, a minha provisória conclusão é a de que o poder dos controladores destes recursos existentes nos paraísos fiscais é maior do que o poder político dos chefes de Estado eleitos pelos respectivos povos.

Por outro lado, Paulo Krugman, Nobel de Economia, esclarece tratar-se não de 1% como indica o movimento dos “Occupy”, Wall Street, London, Sampa, ou dos “Indignados” na Espanha, os bilionários são 0.01%, diz ele!

E, claro, como todos sabemos, nós aqui, nem bilionários, nem agentes estatais, temos pouquíssima força, estamos tendo de “Ocupar” e de nos “Indignar”, a fim de que nossos corpos presentes nos lugares públicos chamem a atenção, já que mal conseguimos nos fazer ouvir.

Entretanto, é preciso deixar bem claro, somos nós os cidadãos que pagamos os tributos, sustentáculo do poder das duas outras forças. Sim, apesar de transferirmos renda ao poder financeiro e pagarmos os custos dos políticos, os dois poderes, financeiro e político, de mãos dadas, lutam para nos afastar das decisões sobre a partilha dos recursos. Exemplo recente de como agem contra a participação dos povos acabaram de nos dar, quando exigiram a troca dos governantes da Grécia e da Itália, assim que eles pretenderam perguntar aos respectivos povos se aprovariam o pagamento das suas dívidas mediante a chamada “austeridade”.

A revolução informacional digital, no entanto, está dando novas armas, tanto à luta dos cidadãos pela afirmação da liberdade de expressão, dos direitos humanos e pela privacidade diante dos poderes financeiro e político, quanto para estes mesmos, que as usam para identificar e perseguir os seus opositores.

O asilo dado pelo Equador a Julian Assange é, assim, apenas um capítulo desta luta pela afirmação da cidadania global, afirmação dos que pagam a conta e possibilitam os lucros. Um tento, pois, a favor da ‘democracia ya’, da ‘democracia real’, da “direct democracy’, da democracia direta!

E a luta continua.

“A vida é luta renhida, viver é lutar”!

Comentários

Joao disse…
Boa, professor.
Essa história do Wikileaks é um marco de uma sociedade que anseia pela democracia que nos é concedida formalmente, mas é controlada pelo poder financeiro supra-estatal e o poder político estatal.
A transparência é fundamental para construir uma sociedade democrática, pois onde há muros, há o que esconder. E o Julian Assange trabalha fielmente a esse valor, vale citar o modelo de "paraíso de transparência fiscal" que ele defende e ajudou a implantar - se não me falha a memória na Islândia.
Abraço

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