LULOFASCISMO

É o que vemos.

A uma, porque houve vinculação das centrais sindicais ao Estado, mediante pagamento anual, ainda por cima, não controlado pelo Tribunal de Contas da União.

A duas, porque tem havido parcerias privilegiadas do Estado com grandes grupos econômicos privados, favorecendo cartéis e monopólios.

A três, porque houve cooptação da representação estudantil em nível nacional.

A quatro, porque há desprezo pelos direitos humanos das minorias políticas divergentes, no plano internacional, a exemplo do escárnio cúmplice em Cuba e da defesa do ditador do Irã.

A cinco, porque há culto à personalidade do chefe, guia e mestre.

A seis, porque há demagogia na exaltação de si próprio e hiper-valorização da responsabilidade dos acertos do governo, em detrimento dos fatos que compõem o processo histórico do desenvolvimento nacional.

A sete, porque há irresponsabilidade no sucesso baseado no imediatismo econômico consumeirista, com ameaças de desindustrialização e de retrocesso a uma economia extrativista dos tempos coloniais, a China como nova metrópole.

A oito, porque há exacerbação do assistencialismo sem preocupação com a instrução básica, vinculando os assistidos ao chefe, nos moldes do coronelismo explicado por Vitor Nunes Leal em seu livro “Coronelismo, Enxada e Voto”, em que o assistido ganha segurança em troca de lealdade.

A nove, porque há uma escalada autoritária com tentativas de controles antidemocráticos de vários setores de atividade.

A dez, porque há massificação e repetição de mentiras, a fim de que se tornem verdades agradáveis ao poder.

A onze, porque há imposição de um “delfim” do chefe e tentativa de enquadramento do mundo político-partidário ao seu interesse pessoal, com aviltamento de personalidades políticas que acabam por se prestar a sabujices.

A doze, porque a res publica, torna-se cosa nostra.

A treze, porque pratica retórica esquerdizante para obnubilar a ignorância
ideologizada, ao mesmo tempo em que financia, através de pessoas jurídicas laranjas,
sociedade sem personalidade jurídica, com a finalidade de manter descamisados de prontidão para pressões de massa, quando convenientes.

É o treze.

Comentários

Olá professor,
Bom ler tuas palavras novamente. Aproveito o ensejo para apresentar uma dúvida quanto a utilização da referência ao fascismo.

O Houaiss assim o define:
"Acepções
■ substantivo masculino
1 movimento político e filosófico ou regime (como o estabelecido por Benito Mussolini na Itália, em 1922), que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador
1.1 Derivação: por extensão de sentido.
tendência para ou o exercício de forte controle autocrático ou ditatorial
1.2 procedimento de fascista ".

Assim, parece acertado levantar as críticas ante o governo Lula, em especial o aparelhamento sindical e do movimento estudantil. Mas haverá mesmo um tão claro parentesco entre o procedimento do Lula e o de Mussolini? Ou será momento de propor uma nova denominação para as tiranias sutis que se apresentam sob o pano da legalidade e do tácito consenso do povo? Neste caso, ao que parece, não há a questão racial (étnica) envolvida, e nem a iminência de guerras expansionistas, ou descarado fechamento de congresso e censura artística.

Enfim, o termo é muito forte e traz a lembrança da maior guerra que já se abateu sobre os humanos, chegando talvez a situações de possível extinção da espécie. Viveremos uma guerra velada ? O risco universal aos humanos agora se apresenta de outra maneira? É de se pensar.

Na questão do desrespeito aos direitos humanos, acrescentaria a questão carcerária, que há muitos e muitos anos permanece sem solução, e piorando a olhos vistos. Neste link, um pedido de Intervenção Federal esclarecedor da OSCIP Conectas no Espírito Santo, lugar donde as violações saltaram aos media ultimamente : " http://www.estadao.com.br/especiais/2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf "

Diante de tais fatos, ganha novas cores o recente comentário do Presidente da República sobre os bandidos que fariam greve de fome de maneira distinta de certos heróis, não?
Otavio Venturini disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Otavio Venturini disse…
Certa feita, o nosso genial antropólogo Giberto Freyre disse que o que mais o impressionava era a verdade contida nos paradoxos. E me valho desta frase para asseverar que em política esta máxima é constante, pois é movida pelos impoderáveis interesses dos políticos, que nem sempre se coadunam com o da nação.
Que dizer dum partido que denfendia uma política de cunho socialista e agora se valhe duma política de alianças partidárias, de modo a conceber extremos poderes ao executivo? Que dizer desse modelo de direita implantado que contraria toda a ideologia do partido? Que dizer de pessoas que em outrora xingavam seus adversário de fascistas e, hoje, buscam implementar algo parecido com o fascismo?
E a oposição, que utilizará a palavra continuidade como propaganda eleitoral, e que parece sentir mais inveja que repulsa deste modelo, certamente o manterá; afinal tudo é válido para se poder governar, até mesmo concordar com o bolsa família que criticaram tanto.
Tantas verdades dolorosas contidas nesses paradoxos, que nos resta apenas encarar de vez esse Estado Liberal implementado de cima para baixo e participar da política para mudá-las. Façamos o Brasil!
Otavio Venturini disse…
Mais uma professor.
É 14, porque como afirma Norberto Bobbio em seu dicionário de política acerca do Fascismo: "por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa." Lei dos direitos humanos que poderia sufocar a liberdade de imprensa.

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