SUPLICY X MERCADANTE: O NORMAL NEM SEMPRE É O COMPORTAMENTO GERAL

Essa idéia me veio a propósito do comportamento do Senador Suplicy. Ele quer ser candidato a Governador do Estado pelo seu partido, o PT, do qual é um dos fundadores, como parlamentar eleito pelo antigo MDB, em 1978. Conheço-o desta época.

Para isso, segundo os jornais, reuniu as assinaturas de militantes do PT, em número necessário e suficiente para inscrever-se como candidato e concorrer na convenção partidária que deverá votar e escolher, democraticamente, sobre qual dos membros do partido, inscritos como candidatos a Governador do Estado, deverá ser o candidato do partido.

Nada mais normal. O partido tem um estatuto prevendo regras que devem ser seguidas por quem deseja candidatar-se. É o caso do Senador Suplicy. Ele deseja ser o candidato do partido e cumpre as regras estabelecidas pelo partido a que pertence.

Entretanto, como ele é tratado? Como se estivesse se comportando anormalmente. De forma bizarra. Ingênua. Excêntrica, até. Como se acreditar nas regras estabelecidas pelo estatuto partidário fosse virar as costas para a realidade. Mas, que realidade é esta?

Como se fosse impossível acreditar nas regras escritas, na força do Direito, e se devesse acreditar e reverenciar o Direito da força, subjugando-se ao poder do arbítrio da vontade de alguém com poder de se fazer obedecido, independentemente do estabelecido pela constituição partidária? A realidade do poder arbitrário, antidemocrático? É esta a realidade que se deve aceitar para construir uma democracia?

Sim, porque afinal, o chefe, o guia, o capo, o duce, o fuhrer, o líder, o amado pelo povo não decidiu que o Senador Mercadante é que deve ser o candidato a Governador do Estado pelo PT? Apesar de ele mesmo ter declarado, varias vezes, que o seu desejo era o de concorrer ao Senado de novo?

E qual é o comportamento geral? Inclusive o dos que atacam Suplicy como ingênuo, bizarro e até excêntrico por desejar ser o candidato a Governador pelo PT, disputando uma convenção partidária no voto, de forma democrática? Ele ignorando, inclusive, a força da decisão antidemocrática que quer impor a decisão de fora da convenção para dentro dela, tornando-a uma mera câmara de homologação da decisão arbitrária previamente tomada, como se ainda estivéssemos no tempo dos militares que impunham a sua vontade ao Congresso Nacional, reduzindo-o à uma câmara de homologação?

O comportamento geral é o de aceitação passiva, de manada incapaz de pensar por si, alienada e docilmente submissa à vontade do chefe, do coronel, do dono do pedaço político-partidário.

O Senador Suplicy, neste caso, é um sinal de contradição. Contradição entre Democracia e Ditadura. Entre a força do Direito e o direito da Força. Entre a liberdade e a opressão. Entre o Governo da Lei, do Estado de Direito e o Governo de Fato, do Arbítrio. Sim, categorias e conceitos vivenciados no seio do microcosmo partidário do PT. Mas ilustrativo de dois sentidos diferentes para a vida em sociedade. Especialmente a da sociedade política.

O normal nem sempre corresponde ao geral. Neste caso a normalidade democrática é minoria. A minoria de um só. De Suplicy. A maioria é a generalizada aceitação da força antidemocrática de Lula. E quem a aceita não tem respeito, nem por si próprio. E, por isso, não merece o respeito dos demais.

De fato, o comportamento geral nem sempre corresponde ao comportamento normal. Mas, pelo menos, não chamemos o normal minoritário de anormal e o geral anormal de normal. Mantenhamos a nossa integridade democrática, moral e intelectualmente.

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