HIGIENÓPOLIS, UMA CENA, UM HÁBITO.

O sol já se levantara, caminhando divisei o bolo fecal na calçada da minha rua, bem junto ao muro de pedras da casa da esquina, hoje uma igreja evangélica. As moscas sobrevoavam o amarronzado, fedido, percebi depois.

Antes de ladeá-lo, notei que um homem dormia envolto em um sujo cobertor que não lhe cobria os pés encardidos, de um pretume já metamorfoseado em pele, quase um casco.

Nisso, atravessando a rua e vindo em direção ao homem, dois labradores iriam acordar e assustar o dormente, mas a senhora que os conduzia pela coleira, percebendo o mau trato que os inocentes causariam ao pobre morador de rua, subiu com os cães um pouco adiante da árvore em que encostava a cabeça.

Respirei, então, aliviado, cheguei à banca, comprei o Estadão, já havia lido a Folha e fui degustar um expresso duplo, que não passo sem uma dose matinal de cafeína.

Café com jornal, em meio ao entra e sai de uma boa padaria, a “Lord” da rua Veiga Filho, é quase um traço de personalidade.

Gosto de recortar e guardar o que acho importante ou interessante. Mas, no mais das vezes acabo jogando tudo fora, dada a minha impotência para levar a cabo as idéias que florescem...

Comentários

alvaroreisneto disse…
BELO TEXTO, PROFESSOR!
Precisa narração do cotidiano...
Grande abraço.
Álvaro
(Taubaté-SP, ex-aluno)

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