CÉREBRO, DEUS DA VIDA?

O cérebro venceu a partida contra o pulmão e o coração. E pelo estonteante placar de oito a dois. O mais interessante de tudo foi que o cérebro venceu a partida da vida sem sequer aparecer. Sim, ganhou fazendo forfé.

Não ficou muito claro, ou melhor, restou um verdadeiro mistério científico. A explicação sobre o fato do pulmão e do coração funcionarem sem o capitão do time, por segundos, minutos, horas, dias depois de saltarem do bem bom do útero para o vale de lágrimas. Ainda por cima porque, para intrigar mais ainda os cientistas e comprovar que chegaram mesmo ao vale de lágrimas, fazem questão de contribuírem, eles próprios, com algumas...

Como podem chorar? Choram sem sentir? Choram em decorrência de um certo grau de consciência vegetativa, aquela que nos faz sentir, por exemplo, sede, fome, sono, frio e calor? Consciência vegetativa que independe da nossa consciência autobiográfica, capaz de dizer quem sou, onde nasci, estudei, casei, divorciei, viajei, etc?

É claro que não vou perguntar se pode haver consciência autobiográfica sem consciência vegetativa. Aliás, eu deveria sim formula-la porque como fiz clássico e não cientifico, no meu tempo havia esta divisão no colegial, não estudei biologia, química ou física. Confesso, pois, a minha absoluta ignorância. E admito que a pergunta talvez decorra dela.

A propósito, essa distinção entre consciência autobiográfica e consciência vegetativa eu aprendi no livro do professor Antonio Damásio, o neurocirurgião português pesquisador da Universidade de Duke, em seu livro intitulado “O mistério da consciência”.

Bem. Aqui eu vou desistir de pensar sobre o assunto. É que se uma das mais renomadas autoridades mundiais sobre cérebro escreve e publica um livro há aproximadamente cinco anos com este título, o mistério da consciência, quem sou eu para me aventurar neste campo?

Finalizo esta domingueira com duas considerações, jurídicas, talvez.

A primeira. Se o nascido chora fora do útero tem personalidade civil, que começa do nascimento com vida, no caso provada pelo próprio choro, já observei e tenho absoluta certeza, morto não chora.

A segunda é a seguinte. Diz o artigo segundo do Código Civil que a lei põe a salvo os direitos do nascituro. Até o placar de oito a dois a favor do cérebro contra o pulmão e o coração eu pensava que nascituro fosse o ainda não nascido. Ponto. Simples assim.

Agora que devo pensar? Que a lei põe a salvo apenas os direitos do nascituro com cérebro?

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