LULA VISIONÁRIO


            Ao ser condenado dia 24 de janeiro de 2018 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a 12 anos e um mês de prisão, em regime fechado, pena executável após o julgamento de recursos ao TRF-4, lembrei-me de que julguei Lula, em setembro de 1978, um visionário.
            Vou contar. Voltávamos, o advogado trabalhista Mário de Jesus e eu de um almoço com o Lula, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Eu era candidato a deputado estadual pelo MDB, apoiando a reeleição de Franco Montoro para o Senado. Lula apoiava Fernando Henrique. Acompanhavam-nos Mauricio Soares, advogado do sindicato e dois candidatos a deputado federal, Rui Brito e Paulo Vidal.
            Às tantas disse ao Lula: Montoro deve ganhar as eleições. Lula então me respondeu: “não, o Fernando vai ganhar porque a partir de amanhã cedo eu vou às portas das fábricas e vou virar a eleição”. Ele iria “virar” a eleição porque as pesquisas davam grande vantagem a Montoro, a mês e pouco do fim da campanha.
            O Mário, enquanto dirigia a Kombi de volta do almoço, me perguntou o que eu achara do Lula e respondi de pronto, um visionário. Ao me questionar sobre a razão desta minha opinião expliquei-lhe que a resposta do Lula afirmando que iria virar a eleição a favor do FHC não me parecera cínica ou hipócrita.
            E continuei. Pelo contrário, disse, tive a impressão de que Lula acreditava mesmo, com convicção, na sua capacidade de mudar o panorama eleitoral; parecia crer firmemente na força da sua capacidade de convencimento; exalava fé no seu poder de persuasão; mostrava-se capaz de fazer a massa trabalhadora segui-lo. Senti nele, acrescentei ao Mário, um intenso e imenso autoconvencimento para transformar a realidade e amoldá-la a seu talante.
            De fato, Lula é um visionário. Por isso criou a CUT, o PT, elegeu-se presidente, sobreviveu ao mensalão, reelegeu-se, elegeu o poste Dilma e o poste Haddad. Mas já não conseguiu eleger o poste Padilha e o PT perdeu mais da metade das prefeituras em 2016.
            Políticos dignos afastaram-se dele ao longo do tempo: Hélio Bicudo, Heloisa Helena, Plínio de Arruda Sampaio, Cristovam Buarque, Marina Silva e tantos outros. Politicamente avaliei o LULOFASCISMO em texto neste blog.

            Finalizo. Em setembro de 1978 julguei-o visionário. Hoje, em janeiro de 2018, aduzo: nefasto aos cidadãos e ao campo popular, até pela seita alienada e fanática que formou em torno de si, confirmando ser mesmo um visionário!

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