quarta-feira, 31 de julho de 2013

É A ECONOMIA POLÍTICA, ESTÚPIDO!


            Continuo o post “Francisco, uma homenagem e uma denúncia”. E o título acima indica que a economia e a política são inseparáveis, embora os bancos as queiram separadas, interessados em capturar a autoridade monetária, o Banco Central, manter a liberdade de cobrar juros extorsivos e sugar renda da sociedade.
            Claramente, o terrorismo econômico praticado em torno da inflação conseguiu elevar a taxa de juros da SELIC em 1,25% e pretende aumentar ainda mais, apesar da inflação perder força sem ter nada a ver com este aumento concedido pelo governo. (selic é a taxa básica de juros definida pelo governo e que “remunera os saldos diários de caixa dos bancos” – Amir Khair, ESP, 10/03/2013, p. B4). Sobre o montante dos juros Khair informa: “o setor público gastou no período 2002/2012, em média, 6,33% do PIB com juros, o equivalente hoje a R$ 300 bilhões!” “... ... R$ 300 bilhões desperdiçados a cada ano...” ( Amir Khair, ESP, 14/07/2013, p. B6)
De fato, agora a inflação de 2013 perde força e, pois, o aumento de 1.25% da taxa SELIC apenas representa uma despesa pública e uma gastança desnecessária, já que “alterações em taxas de juros tipicamente afetam a inflação cerca de seis trimestres à frente”, ensina Alexandre Schwartsman (FSP, 24/07/13, p.B6), confirmando Celso Ming já citado no artigo anterior. Atestando que a inflação perde força, diz ainda Luiz Carlos Mendonça de Barros: “o cenário de catástrofe, pintado pelos mais afobados há alguns meses, deve ser substituído por um olhar mais calmo para o comportamento dos preços...” (FSP, 26/07/13, p. B7).
É que, passada a seca americana e a brasileira, os alimentos começam a voltar aos preços normais; a taxa de emprego desacelerou e um leve desemprego ocorre em alguns setores. Isto freia a alta do preço dos serviços decorrente da pouca oferta em relação à procura, alta possível em conseqüência do aumento anterior da renda; mas, esta se estabiliza devido ao baixo crescimento econômico e o seu poder de compra diminui em decorrência da inflação passada. O consumidor se retrai e os preços baixam.
Tudo somado, a inflação cai sem a menor influência do aumento de 1,25% da taxa de juros SELIC, concedido desde 18 de abril passado em três aumentos, o primeiro de 0.25 e mais dois de 0,50. Segundo Ming e Schwartsman o aumento da taxa SELIC não diminuiria a inflação apenas a partir de seis meses? Portanto, na melhor das hipóteses só a partir de setembro!
Temos, pois, o direito de ficarmos pasmos, perplexos e até imaginarmos que somos ignorantes, não? E, como Sócrates, perguntarmos: a nossa racionalidade voltada para o bem comum dos cidadãos estaria equivocada? Por que então contratar um gasto público mensal com recursos dos contribuintes, se a inflação perde força sem este gasto?  O governo decidiu aumentar o gasto público só para transferir renda aos bancos? Quis instituir uma espécie de ‘bolsa banco’, moralmente muito pior ainda do que o mensalão?
FHC e Lula aceitaram que os bancos abocanhassem, através de juros extorsivos, grande parcela da renda nacional, em prejuízo da indústria, da agropecuária, dos serviços não financeiros e dos consumidores. Dilma agiu contra esta injustiça praticada em face dos agentes econômicos que produzem os bens e serviços de que necessitamos.
Porém, não agüentou a campanha de descrédito promovida pelo terrorismo econômico em torno da inflação e jogou a toalha, sossobrou. Aumentou o gasto público pagando mais juros aos bancos, comprando elogios ao Banco Central, mera estatal.
Pena do Brasil. Agora o quebra-quebra das agências bancárias...
O Real é FHC, o Bolsa Família é Lula. O enfrentamento do poder econômico dos bancos mediante a redução das taxas básicas de juros para patamares internacionais poderia ser a marca Dilma. Mas se continuar medrosa desse jeito, ela não merece ser reeleita. Ou, pelo contrário, poderá ser reeleita exatamente por que cedeu aos bancos, ouvindo a “desinteressada” música de que o aumento dos juros pôs a inflação na meta?
A conferir!

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