segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRECISAMOS DE PRIMÁRIAS E DO RECALL

Estava me lembrando do tempo da ditadura dos militares. Os generais-presidentes eram escolhidos por cinco pessoas, salvo engano: os três ministros militares, do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas - EMFA e o chefe do Serviço Nacional de Informações.Os cinco formavam o que eles chamavam de Alto Comando das Forças Armadas. Talvez o general-presidente do turno também fizesse parte deste Alto Comando. Não me lembro bem. Mas eram no mínimo cinco pessoas.

E depois, comparando com este tempo da democracia, verifico que no PSDB, apenas cinco pessoas escolhem o candidato: Aécio, Tasso, FHC, Serra e Guerra. Cada um deles tem a sua tropa de militantes, o seu curral eleitoral, o seu apoio mediático, em suma, a sua quota de poder. O resto do partido, bem, não passa de resto...

O PMDB e o DEM nem escolher escolhem, apesar da capilaridade social que possuem. Acompanham a escolha alheia, negociando a vice-presidência.

Por outro lado, os partidos menores se aglutinam em torno de uma personalidade forte e a lançam, como o PSB do Ciro, o PSOL da Heloísa Helena, o PDT do Cristóvam Buarque e agora o PV com a Marina Silva. Os demais partidos, sem figura forte, entram nas alianças.

Mas e o Partido dos Trabalhadores? Pobre PT. Virou a câmara de homologação da escolha autocrática do líder, do coronel, do caudilho, do fuhrer, do mandachuva, do chefão, do endeusado, do mito. Nem na ditadura militar o general presidente falava em segundo e terceiro mandatos e, muito menos, o general sucessor era escolhido por um só homem. Que involução política da democracia pelos partidos! Valha-me Deus!

De fato, a nossa democracia ainda é muito, muito frágil. Entretanto, parece que escapamos da tentação do terceiro mandato do atual presidente, para mim, sem dúvida nenhuma, o fato politicamente mais importante de 2009. Por isso, chego mesmo a acreditar que Deus é sim, brasileiro. O segundo fato mais importante, a meu ver, é a entrada da Senadora Marina Silva na disputa, o que, espero, afasta de vez o terceiro mandato. Ou a entrada dela vai reacender o medo de perder e reavivar a tentação de um terceiro mandato na última hora?

Aliás, hoje, dia 17, li no blogentrelinhas, uma entrevista do Leonardo Boff sobre a candidatura da Marina Silva e concordei com ele em gênero, número e grau.

Todavia, precisaríamos, de imediato, para aperfeiçoar a nossa democracia, pelo menos de primárias para a escolha de candidatos à Presidente e do recall, pelo qual os eleitores poderiam cassar os mandatos dos eleitos que desrespeitassem a representação popular.

2 comentários:

Hugo disse...

Professor gostei do blog.. já adicionei no favoritos!
Sobre o post... não sei se concordo com a representação que vc fez sobre a ditadura militar... por coincidencia comecei a ler os 4 "Ditaduras" do Elio Gaspari e ele faz uma pintura bem diferente sobre a sucessão dos generais presidentes.. Acredito que se os militares no poder tivesse alguma influencia na escolha do sucessor não haveria transicao entre "Linha Dura" e Castelistas, por exemplo...
Já sobre a situação atual, bem, a situação atual é uma piada, mas ainda bem que aparentemente nao teremos um terceiro mandato!!
Alias, sobre o tema que que vc achou da "revolução" em Honduras.. ? Sempre que leio algo a respeito nao me sai da cabeça um certo "paradoxo" constitucional dado que "em tese" o estupro que o Zelaya estava planejando fazer na constituicao tinha o apoio do povo, o que em última análise faria da medida algo extremamente democratico....
Abraços!
Hugo.

Francisco disse...

Professor,

Concordo plenamente com suas considerações sobre recall. Fico imaginando se o congresso estaria disposto a votar um aperfeiçoamento como este no contexto atual. Sou cético.

Abraço,

Francisco Petros